Acabei por ir eu à procura das plantas... de certo modo, aquele que eu mandei nunca mais regressou... E aqui é que cada vez compreendo menos... mas quero sair destas ilhas o mais depressa possível...
Aquando a minha chegada, não comentei nada disto com os meus companheiros. Mas vou escrever, ainda que me custe, este estranho encontro aqui, para poder pensar nele mais tarde...
Embrenhei-me pela floresta escura e densa. Não sei em que direcções andei, porque só o podia fazer consoante a vegetação me permitisse. Perdi a noção do tempo.
De súbito, algo me agarra pelas costas. Rápido, agarrei num punhal. E vejo um homem, velho como o tempo, magro como o ramo de uma árvore e de barba densa e escura como a vegetação. Baixei a arma. O homem, num fio de voz, perguntou
"Sois o Almirante?"
Eu não respondi, não dei a entender se sim ou se não. Mas ele percebeu, creio, pelo que disse com a sua voz sumida:
"Meu Deus...".
"Que quereis?" perguntei: aquele homem intrigava-me. O homem não respondeu quem era. Antes disse:
"Norte não. Não ir a Norte."
"Mas porquê?" perguntei eu.
"Não, não! Não estar autorizado a contar, eu..."
"Conta-me. Que queres em troca?"
Com um gesto discreto, o homem apontou para o punhal na minha mão direita.
"Seja."
Dei-lhe o punhal. O homem, então, disse:
"Norte, frio. Norte, triste. Norte, mau, muito mau. Não ir para Norte. Norte mata."
"Não percebo! Deixa-te de enigmas! O que mata? Por que mata? Não percebo! Fala!"
"Não contar. Norte me ter matado. Querer viver de novo, eu."
"Viver de novo? Como?"
"Viver agora."
Então, o homem cravou o punhal no coração...
Não digo que não me deixou preocupado. Não que lhe tenha encontrado algum fundamento. Aliás, a melhor explicação é esta: um homem perde-se no Norte, dá a estas ilhas, enlouquece com a solidão e, num último desejo de se ver livre das ilhas e cansado de viver, apunhala o próprio peito. Explicação mais credível não pode haver. Mas intrigou-me.
Acerca das plantas: cinco dos meus tripulantes pereceram com plantas venenosas. O outro está a salvo. Não tarda em recuperar. E a S. Uriel já se pode lançar ao largo...
Sairemos destas ilhas, hoje à noite. E iremos para Norte...
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